
“Temos uma história, leis e decretos. As crianças ouvintes aprendem português na escola e se desenvolvem bem. Já as crianças surdas ficam sempre um passo atrás, porque não têm acesso à aprendizagem desde cedo”.
A frase, dita em Libras pelo docente da UFPI Luiz Cláudio e traduzida ao plenário, marcou a celebração do Setembro Azul, também chamado Setembro Surdo, durante a audiência pública realizada na quarta-feira (10), na Câmara Municipal de Teresina.
O Setembro Azul é um movimento de conscientização sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a educação bilíngue para surdos e a garantia dos direitos das pessoas surdas como cidadãs plenas da sociedade.

Para o vereador Venâncio Cardoso, um dos proponentes da audiência, o momento representa uma oportunidade de conscientizar a sociedade sobre a relevância da acessibilidade comunicacional, linguística e cultural.
“O principal encaminhamento é solicitar à Prefeitura a inclusão do profissional de Libras como cargo oficial do município. Com a aprovação, o próximo passo será cobrar a realização de concurso público”, explicou.
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O mês de setembro também é marcado por datas históricas para a comunidade surda. O dia 26 de setembro representa a criação da primeira escola de surdos no Brasil. Já o Dia Internacional das Línguas de Sinais, instituído pela Organização das Nações Unidas, celebra a fundação da Federação Mundial dos Surdos, em 1951. Além dessas datas, o Dia Internacional do Surdo é comemorado em 30 de setembro.
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“Temos professores efetivos nas áreas de Pedagogia e Educação Básica, do 1º ao 5º ano. Por muitos anos, esses profissionais desempenharam a função de tradutor e intérprete de Libras. Hoje, é comum que essa função seja exercida por contratados e estagiários, com carga horária de 30 horas semanais e sem revezamento, o que contraria a legislação nacional”, disse a professora Valdeny Aragão sobre a situação nas escolas municipais.
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A defensora pública Sara Vieira Miranda falou que também percebe a falta de tradutores nos atendimentos. Ela explicou que causa da comunidade precisa ser ouvida pela Defensoria Pública para permitir a judicialização e que quanto maior o número de denúncias, mais fundamentos existem para levar a questão à Justiça.
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